sexta-feira, outubro 14, 2005

primeiro vazio

hoje é o 16o dia sem fumar. menstruei ontem. desde de sábado que o clima esfriou um pouco, tá cinza e molhado.
desde de ontem que tou borocochô. acho que passou a fase inicial da euforia de ter conseguido ficar sem fumar e agora tá vindo a segunda etapa. o corpo ainda tá fazendo os ajustes. continuo me sentindo dispersa, com dificuldade de concentração.
hoje senti um vazio pela primeira vez e talvez tenha sido o dia que senti vontade de fumar mais vezes. não é fissura, simplesmente uma vontade rápida que passa imediatamente quando fico consciente.
incrível como fumar dá a ilusão de preencher, de está fazendo alguma coisa.

terça-feira, outubro 04, 2005

ajudas

* meditação: sou muito inquieta e acho que só muito treino pra conseguir ficar sentadinha, só respirando. então uma amiga me indicou a walking meditation e ta sendo bem legal praticar. (estava praticando todos os dias antes de parar de parar de fumar, mas confesso que depois que parei não tenho praticado regularmente).
* terapia: achei uma pessoa que trabalha com hipnose ajudando pessoas compulsivas a largarem seus vícios (cigarro, comida, trabalho, etc). a princípio fiquei curiosa e meio cabreira com a hipnose, mas depois relaxei e foi bem legal.
a primeira etapa do processo foi bem doloroso porque fui futricar numas emoções remotas. depois vem a fase da consciência do vício, da dependência, etc. nessa fase eu tive muita crise de choro só de pensar em viver sem fumar me dava um desespero. que loucura né? eu não conseguia me imaginar sem fumar. é como se fizesse parte de mim e eu ia "perder" aquilo. enxergar minha dependência me fez sentir que o "velho tinha que morrer pro novo renascer". não tinha jeito daquela lilia ser uma não-fumante. tinha que ser outra lilia, nova-lilia, com as emoções curadas, encarando cada emoção nova, sem esse artifício do cigarro. [se voce é fumante e prestar atenção, voce fuma, também, pra criar uma brecha entre voce e as emoções, seja positivas ou negativas. acende-se cigarro pra comemorar uma alegria ou pra aliviar uma dor, um estresse.]
senti que não tinha mais volta. sabe aquela coisa de não poder entrar no mesmo rio duas vezes? pois é, a velha-lilia ja não existia mais e eu tinha que aceitar isso até porque foi opção minha pegar esse novo caminho.
depois eu conto como foi essa parte do velho ir embora pro novo poder chegar...
* wellbutrin (genérico do zyban): até onde eu sei esse remédio é um anti-depressivo que age no cérebro librando dopamina que é normalmente é liberada pela nicotina, dando sensação de prazer.
eu não sou muito fã de remédios, prefiro cuidar da sáude (ranran, grande contradição, cuida da saúde e fumava 2 maços por dia) pra não precisar tomá-los, mas se for preciso tomo sem muita onda.
[antes de contar o efeito milagroso dessa droga, tenho que dizer que tenho um poder de auto-sugestão-positiva imenso e as vezes acho que se fosse bolinha de açucar faria o mesmo efeito.]
a droga, normalmente, começa a fazer efeito depois da segunda semana.
eu fui orientada pra tomar metade da dose na primeira semana e dose inteira a partir da segunda. no décimo dia algo estranho e bom-demais: eu não sentia vontade de acender todos os cigarros normais, ou seja, dos 40-45 fumei 15. yes! fiquei numa animação danada.

domingo, outubro 02, 2005

histórico

meu nome é lilia, tenho 44 anos, casada há 3, e moro atualmente em annapolis, md, usa.

comecei a fumar aos 11 anos de idade com a ajuda da doméstica da casa da minha vó, que morava ao lado. daí em diante eu nunca tinha ficado mais de 24 horas sem fumar.
não só era dependente, como adorava esse nojento. era paixão mesmo. nem culpa eu sentia e ainda dizia "nicotina e culpa é mal triplicado".
e assim se passaram 31 anos.
[meu pai era fumante, de verdade. não sei a quantidade que ele fumava, mas sei do tanto que era viciado. teve um infarte aos 50 anos, fez pontes de safena e assim que pode voltou a fumar. acumulou algumas muitas doenças e nunca parou. e mesmo sua morte não me fez pensar em largar.]
em outubro de 2003 soube de uma amiga com câncer no pulmão (que veio a falecer 3 meses depois) e pela primeira vez comecei a pensar em parar de fumar. antes nunca tinha passado pela minha cabeça tal sábio e inteligente pensamento.
em outubro de 2004 levei um pequeno susto quando tive que fazer umas biópsias de uns cistos aspirados nos dois seios.
quando essas coisas acontecem eu vou na linha do "corpo fala" (ou grita!) e comecei um processo de cura nas minhas emoções. dai o tempo foi passando e eu cada vez mais pensava em largar o vício.
e dizia sempre que quando fosse parar ia precisar de toda ajuda disponível e assim o fiz.